sábado, 15 de novembro de 2014

Sem inovação, produtividade do Brasil sobe só 6% - leiam que vale a pena

Notícias - Publicado em 14/11/2014

Um trabalhador chinês do setor de manufatura custa, em média, US$ 1,74 por hora. Um trabalhador americano do mesmo setor vale US$ 23,93, sem contar benefícios. Apesar do custo competitivo, a China, responsável por montar um produto como o iPad, fica com apenas 7% do valor final do tablet. Os demais 93% remuneram licenças de patentes, softwares, marcas e outras atividades de alto valor, cuja origem é justamente os Estados Unidos.

A história ilustra bem a encruzilhada em que foi colocada boa parte dos países em desenvolvimento: escala e custos deixaram de ser cruciais para impulsionar a competitividade e o investimento, avalia Jorge Arbache, professor de economia da Universidade de Brasília (UnB).

"Jogar todas as fichas na questão de custos vai fazer o Brasil perder o bonde", diz Arbache. "Isso não quer dizer que não se deva olhar para coisas como câmbio, transportes, custo do trabalho e questões relativas ao ambiente de negócios. Embora custos sejam fundamentais, conhecimento é cada vez mais importante, não adianta espernear."

Em 1980, a produtividade do trabalhador brasileiro era 670% maior do que a do trabalhador chinês e 70% menor do que a americana. Em 2013, o Brasil perdia nos dois casos: a produtividade do trabalhador brasileiro era 80% inferior à americana e 18% menor do que a chinesa. No período, a produtividade dos chineses cresceu 895%. Já a dos brasileiros, meros 6%.

O cenário brasileiro se agrava ao se levar em conta algumas particularidades locais - em especial, os desafios demográficos e a baixa taxa de investimento da economia. Sendo assim, diz Arbache, não há saída: o país vai ter que se mexer se quiser participar do clube dos países e empresas que controlam as fases mais nobres das cadeias globais de valor, que geralmente agregam bens industriais com elevada participação de serviços no valor agregado, como o iPad.

No estudo "O Brasil e a Importância da Indústria Intensiva em Conhecimento", Arbache ressalta que a educação não apenas deixa a desejar no Brasil, como a sua qualidade é muito desigual entre regiões, classes sociais e entre as redes pública e privada de ensino. Para além da educação de forma geral, as indústrias intensivas em conhecimento são cruciais para alavancar o crescimento econômico, pois pagam melhores salários, têm maior produtividade e estão mais conectadas à economia mundial. "O que importa não é ter indústria, mas qual indústria ter. E mais importante que participar de cadeias globais de valor, é como participar das mesmas", diz.

O Brasil, no entanto, participa das cadeias globais de valor basicamente pelo fornecimento de matérias-primas, que responde por 60% dessa contribuição. Na Índia, são 55% e, na China, apenas 10%. Já a manufatura de alta tecnologia corresponde a apenas 5% da contribuição brasileira às cadeias globais, assim como a da indiana. Na China, no entanto, chega a 30%.

Segundo o estudo, as indústrias farmacêutica, de telecomunicações, coque, petróleo e derivados, equipamentos de transportes e veículos automotores são as mais intensivas em conhecimento. Para cada R$ 1 mil de aumento dos gastos com inovação por trabalhador, há um aumento de R$ 16,5 milhões em receita bruta média anual por empresa e R$ 73,5 na remuneração média mensal dos trabalhadores.

Não que o país não sustente indústrias competitivas. "Quem já fez uma Embraer, faz duas. O mesmo acontece com as águas ultraprofundas da Petrobras ", lembra Arbache. Para ele, é preciso industrializar as vantagens comparativas, não só exportando soja ou café, mas se voltando também para o óleo de soja, ou o café solúvel. "Por razões políticas, de ambiente de negócios, falta de ambição e até mesmo questões culturais, nós não fazemos isso", afirma.

Arbache lembra que o país ainda gasta pouco em pesquisa e desenvolvimento (P&D), quando comparado a outras economias, o que fica claro no desempenho de alguns indicadores específicos. Enquanto países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) investiram, em média, 2,4% do PIB em P&D, o Brasil investe 1,2% do PIB - com cerca de metade disso vindo do setor privado. Quanto aos pedidos de patente, o Brasil depositou 1,8 mil pedidos em 2012, a Índia, 6,8 mil e a China, 400 mil.

Diante do quadro, o Brasil fica com a 61ª posição no índice de inovação do World Intelectual Property Organization (Wipo, na sigla em inglês), dentre 143 países, atrás de praticamente todos os emergentes que podem ser considerados nossos potenciais concorrentes econômicos, incluindo Malásia, China, Polônia, Tailândia, África do Sul e México.
      
(Valor Econômico)

sexta-feira, 14 de novembro de 2014

Cidade na Holanda inaugura ciclovia que brilha no escuro

Novembro 2014

Para incentivar o aumento do uso da bicicleta como meio de transporte, a cidade holandesa Nuenen está apelando para a arte: inspirada no famoso quadro de Van Gogh “Noite estrelada” foi inaugurada uma ciclovia brilhante, na última quarta-feira (12).

Foto: Studio Roosegaarde
A ciclovia possui uma tecnologia especial que ilumina a via por meio de milhares de pedras cintilantes e tem como rota a província de Brabante do Norte, onde o artista nasceu em 1853. O jogo de luz e cor inspira artisticamente e ajuda a evitar acidentes.
A tecnologia foi projetada pelo artista holandês Daan Roosegaarde, que possui outros projetos que aproximam a arte da tecnologia. A intenção é “conectar as pessoas” com um trabalho interativo definido por ele como “tecno-poesia”.

Foto: Studio Roosegaarde
Em seu site Studio Roosegaarde, ele explica que o objetivo é tornar as estradas inteligentes usando sinais de luz, energia e estradas que interagem com o trânsito.
Partindo do princípio de que o aumento da infraestrutura para bicicletas na cidade influencia no aumento da demanda, este projeto integra uma série de iniciativas, anunciadas pelo governo holandês, para aumentar em 20% as viagens diárias feitas sobre bicicletas, em especial, no trajeto casa-trabalho.
Outra intenção de projeto, divulgada em 2013, é a construção com tubos internos, por onde passará água aquecida, para impedir o acúmulo de gelo na pista. Tais ações certamente darão mais segurança para os que optarem pelo meio de transporte alternativo ao sair de casa mesmo no inverno europeu e sabendo que só voltará à noite.

Foto: Studio Roosegaarde

Foto: Studio Roosegaarde
Redação CicloVivo

quinta-feira, 13 de novembro de 2014

Energia e Estados Insulares - Inovação energética (Energía y Estados Insulares - Innovación Energética/Energy and Island States - Energy Innovation).

El Hierro crater lake

El Hierro, pertencente às ilhas Canárias, está localizado na Costa Atlântica da Espanha. Este ano, seu governo anunciou que vai se tornar oficialmente livre de combustíveis fósseis em termos de geração de energia elétrica para os moradores. Isso envolverá a substituição anual de 6.600 toneladas de diesel importado por turbinas eólicas e uma instalação única hidrelétrica. Cinco turbinas eólicas e dois lagos compõem a infra-estrutura de geração de energia da ilha.

[El Hierro at Canary Island, is located off Spain’s Atlantic coast. This year its government announced that it will officially be fossil fuel free in terms of generating electricity for residents. This will involve the annual replacement of 6,600 tons of imported diesel fuel by wind turbines and a unique hydroelectric installation. Five wind turbines and two lakes make up the island’s energy generating infrastructure.]
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Quando o vento sopra as turbinas podem exceder a demanda de pico. A energia excedente então é usada para bombear água de um lago próximo ao nível do mar para uma elevação na cratera de um antigo vulcão, localizada em 800 metros acima (veja a figura/see the picture). O lago superior em vigor fornece um reservatório de armazenamento de energia armazenada em forma de água.

Quando o vento se torna muito fraco, o sistema detecta a necessidade de energia e a água armazenada no lago fica liberada para fluir colina abaixo e acionar as turbinas hidrelétricas.

El Hierro deu mais um passo ara se livrar totalmente da dependência de combustíveis fósseis. Isso envolve modificar toda frota de automóveis e caminhões para veículos elétricos até 2020. A confiabilidade dos ventos no local do El Hierro torna esta uma solução ideal.

Ele pode ser duplicado em outro lugar? As ilhas do Caribe, membros e afiliados da Caricom, (ver mapa abaixo), poderiam quase duplicar a possibilidade de geração de energia através dos ventos de El Hierro, mas nem todos têm a topografia para implementar uma boa solução de armazenamento de água bombeada para maiores altitudes. Entrentanto, para alguns existe a possibilidade de terem algo tão bom quanto isso: uma fonte de energia renovável geotérmica!
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Fonte: WIP (traduzido).

Pesquisadores de Campinas (SP) desenvolvem feijão mais resistente à seca (Investigadores de Campinas, São Paulo, desarrollan frijol más resistente a la sequía/Researchers from Campinas, São Paulo State, develop drought-resistant bean).

A IAC Imperador tem um ciclo de cultivo mais curto em relação a outras variedades de feijão.
A variedade de feijão IAC Imperador teve ciclo de cultivo mais curto que os demais.
[La variedad de frijol IAC emperador tenía temporada de crecimiento más corta que las otras/The  IAC Emperor beans variety had shorter growing season than other].
Foto/Image: Divulgação.

Os produtores de feijão-carioca em diferentes regiões do Brasil começaram a cultivar, nas safras de 2013 e deste ano, uma variedade do feijoeiro Phaseolus vulgaris L. mais resistente à diminuição da disponibilidade de água durante o período de crescimento da planta.

Com apoio da FAPESP, o projeto foi desenvolvido por pesquisadores do Instituto Agronômico (IAC), de Campinas, da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, e foi batizado de IAC Imperador.

A cultivar é capaz de se desenvolver com volume de água até 30% menor do que o usual, afirmam os pesquisadores da instituição. “A IAC Imperador já está em todas as regiões do Brasil e hoje há 28 empresas fazendo a multiplicação dessa cultivar”, afirma Alisson Fernando Chiorato, pesquisador e coordenador do projeto.

“Os testes que realizamos com essa planta demonstraram que, além de diminuir o uso de água, o agricultor utiliza menos energia elétrica em seu sistema de irrigação”, avaliou Chiorato.

A IAC Imperador tem um ciclo de cultivo mais curto em relação a outras variedades de feijão. A cultivar completa seu ciclo de crescimento em 75 dias, ante 95 dias do ciclo normal. A raiz da planta também cresce mais rápido e é mais robusta em comparação com outras.

Com essas características, a planta extrai mais água e nutrientes do solo, em maiores profundidades, permanece menos tempo no campo e sofre menos com a falta de água. “A redução do ciclo de cultivo e a raiz mais robusta conferem à planta um sistema mais agressivo para a aquisição de água e a fazem mais tolerante a situações de estresse hídrico”, explica Chiorato.

O pesquisador também garante que “a produtividade é menor do que a de uma planta que não sofreu estresse hídrico, mas mantém a qualidade do grão para ser comercializado pelo produtor”.

Fonte: CicloVivo.

quarta-feira, 12 de novembro de 2014

Bicycled, a bicicleta feita de sucata de automóvel (Bicycled, una bicicleta hecha de chatarra de coches/Bicycled, a bicycle made of scrap cars).

Cassis, montando uma bicicleta com metal reciclado (Divulgação)
Duplamente ecológica, ela não emite poluentes e ainda reaproveita materiais que podem causar danos ao ambiente. Cassis, montando uma bicicleta com metal reciclado.
[Doblemente ecológico, no emite ningún contaminante e incluso reutiliza materiales que pueden dañar el medio ambiente. En la foto se ve Cassis, creando la bicicleta de metal reciclado.
Doubly environmentally friendly, its doesn't emit any pollutants and even reuses materials that could be impact to the environment. In the picture above Cassis is riding a bike from recycled metal.]
Fonte: Estadão (Divulgação).


Automóveis velhos que viraram sucata estão virando matéria prima para a fabricação de bicicletas novas em uma oficina em Madri, na Espanha.

A experiência que transforma veículos barulhentos e grandes consumidores de combustíveis em uma máquina livre de emissões de poluentes é liderada por Francisco Cassis, diretor criativo da Lola Madrid da agência de publicidade Lola Madrid, que fez uma parceria informal com um fabricante de bicicletas espanhol.

“Uma bicicleta feita de restos de carros velhos é uma bicicleta com uma opinião”, diz Cassis, sobre a marca de bicicletas Bicycled, ‘a bicicleta feita de carro’.

CLIQUE AQUI para ver o vídeo da Bicycled

Singularidade

Parte do apelo das bicicletas recicladas reside no fato de que, como flocos de neve, não há duas bicicletas iguais. A singularidade é resultado do processo de transformação do metal em tubos e peças para a montagem das bicicletas.

“As pessoas adoraram”, diz Cassis. “Recebemos 7 mil consultas e encomendas, apesar do preço considerado caro em relação às bicicletas comuns (US$ 800, o equivalente a R$ 2 mil). A reação dos consumidores foi totalmente positiva: “Parabéns por uma ideia incrível. Eu quero uma”.

Os entusiastas provavelmente vão ter de esperar um pouco. Cada bicicleta demora cerca de três meses para ficar pronta e os artesão contratando não estão dando conta de tantos pedidos.

“Estamos tentando descobrir como acelerar a produção”, diz Cassis. “Nossos talentos na agência de publicidade vêm as vezes com ideias surpreendentes que não estão relacionadas com a publicidade, por isso criamos um departamento para tentar fazer essas coisas aconteçam”, comenta Cassis.

Fonte: Estadão.

Brasil terá Observatório de Inovação em Biotecnologia (Brasil planea un Observatorio de Innovación en Biotecnología/Brazil is planning Observatory for Innovation in Biotechnology).


Biotecnologia é considerada como uma das mais relevantes ferramentas para o séc. XXI.
Fonte: MCTI (2014).

Biotecnologia e bioeconomia

Representantes do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e da Delegação da União Europeia (UE) deram início às articulações para a criação do Observatório de Inovação em Biotecnologia no Brasil e a sua interação com o Observatório de Bioeconomia da UE.

A iniciativa tem entre os seus objetivos prospectar oportunidades de desenvolvimento tecnológico em biotecnologia no Brasil, mapear desafios, avaliar o potencial mercadológico de tecnologias e identificar gargalos e soluções para minimizar os riscos associados à inovação na área.

A União Europeia mantém, desde 2013, o Observatório de Bioeconomia (Bioeconomy Observatory), coordenado pelo JRC (Joint Research Centre), o serviço de ciência da Comissão Europeia.

Há interesse tanto do Brasil como da UE em promover o intercâmbio de informações e o diálogo entre especialistas na área de biotecnologia e bioeconomia a fim de consolidar e fortalecer iniciativas locais. Representantes de ambas as partes já estão trabalhando na construção de um plano de ação conjunto.

Observatório de Inovação em Biotecnologia

"O observatório vai planejar e acompanhar tudo que vai acontecer em termos de biotecnologia e bioeconomia, um setor que faz parte do plano de ação estratégico do Brasil e que representará um salto tecnológico com mais impacto do que foi a transição do sistema analógico para o digital", explicou Oswaldo Leal Moraes, do MCTI.

Segundo o representante do MCTI, existem diferentes setores - tanto acadêmicos como industriais - envolvidos com o processo de desenvolvimento de programas de biotecnologia no Brasil, a exemplo da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

A expectativa é que o observatório seja implementado até 2015 e represente um pontapé para alavancar o setor.

Fonte: Inovação Tecnológica (dados do MCTI).

Residências feitas de concreto inflado custam apenas $ 3.500 dólares

Novembro 2014

A residência em formato de cúpula é resultado de um tipo de construção nada convencional – apesar de ter sido desenvolvido na década de 60 -, o método construtivo está em análise e poderá ser usado como alternativa para projetos de abrigo para refugiados e habitação de baixo custo.
A técnica batizada de Binishell consiste em inflar balões para servirem como fôrmas, por cima delas é colocado o concreto e o restante dos materiais. O arquiteto Dante Bini foi quem patenteou a ideia e, na época, ajudou a reduzir o tempo e o custo das construções – uma vez que os moldes tradicionais eram bastante caros. Agora, seu filho Nicoló Bini, está propondo novas construções utilizando esse método.

Imagem: Divulgação
"É uma alternativa a habitação de baixo custo que é melhor do ponto de vista ambiental e humanitário. Temos um produto permanente que não é apenas mais verde, mas também mais rápido para construir do que outros sistemas", afirmou ele.

Imagem: Divulgação
Nesse tipo de construção, são integrados sistemas que reduzem o consumo de energia em até 75% em relação aos métodos tradicionais. É necessária uma quantidade menor de materiais, que devem ser comprados na localidade do morador. Há redução de custo tanto ambiental quanto financeira. A empresa avalia que a residência mais simples custaria apenas $ 3.500 dólares.

Imagem: Divulgação
Além disso, é possível criar uma estrutura resistente aos desastres naturais. Em tais situações, o projeto ainda se mostraria eficaz pela rapidez com que as paredes podem ser erguidas – o que seria extremamente importante em casos emergenciais.

Imagem: Divulgação
Os telhados verdes também poderiam ser uma boa solução para melhorar o conforto térmico e acústico das residências, além de reduzir ainda mais o impacto ambiental causado pelas construções.
Redação CicloVivo