quinta-feira, 24 de julho de 2014

Correia transportadora para nanopartículas e moléculas (Nanovelcro belt to nanoparticles and molecules transport)!

Nanovelcro funciona como correia transportadora para moléculas
[Image: Kai D. Schleicher et al./Biozentrum/Universidade de Basel]

Biotransporte

Assim como os velcros parecem ter mil e uma utilidades nas dimensões humanas, os nanovelcros parecem ser igualmente versáteis no reino das nanotecnologias.
A diferença é que eles podem servir a propósitos bem diferentes.
Por exemplo, enquanto possa não lhe ter ocorrido usar um velcro para limpar a casa, um nanovelcro detecta e captura metais pesados na água e até em peixes.

Agora, pesquisadores da Universidade de Basel, na Suíça, descobriram que um nanovelcro pode ser muito eficiente para transportar cargas - cargas adequadamente pequenas, como moléculas.
Outra equipe já havia criado uma nanocorreia transportadora capaz de levar átomos ao longo de um nanotubo, mas este nanovelcro é mais afeito a aplicações na área da biologia e da medicina.

Kai Schleicher descobriu que proteínas encontradas nos poros da membrana do núcleo das células funcionam como um velcro, podendo ser usadas para transportar nanopartículas de forma controlável e seletiva.
Agora que Schleicher fez o trabalho mais árduo, isso não parece surpreendente. Afinal, há muito tráfego em nossas células, com proteínas viajando do ponto onde são fabricadas, no citoplasma, até o núcleo, onde são usadas para ler informações genéticas. São os poros na membrana do núcleo que permitem esse transporte de "cargas" para dentro e para fora. As "proteínas-velcro" nos poros somente transportam moléculas que se encaixem em suas garras - para todas as outras, o núcleo é uma zona proibida.

Nanocorreia transportadora

A equipe então criou um sistema artificial que imita esse processo, recobrindo nanopartículas com as proteínas-velcro. O mais interessante ocorreu quando esse velcro biológico ficou saturado. Da mesma forma que o velcro normal quando fica sujo, o velcro biológico tornou-se menos adesivo, e as partículas começaram a deslizar sobre ele por difusão - as nanopartículas escorregam por ele sem a necessidade de aplicação de força externa.

"Entender como o processo de transporte funciona no complexo poro nuclear foi determinante para nossa descoberta," disse o professor Roderick Lim, orientador do grupo. "Com o velcro em nanoescala nós podemos definir o caminho a ser tomado, bem como acelerar o transporte de partículas selecionadas sem necessitar de energia externa."

Segundo o professor, a correia transportadora baseada no nanovelcro poderá ter aplicações práticas em qualquer sistema nanotecnológico que necessite transportar partículas de um lado para o outro de forma controlada - eventualmente em nanofábricas.

Bibliografia/References:

Selective transport control on molecular velcro made from intrinsically disordered proteins
Kai D. Schleicher, Simon L. Dettmer, Larisa E. Kapinos, Stefano Pagliara, Ulrich F. Keyser, Sylvia Jeney, Roderick Y. H. Lim
Nature Nanotechnology Vol.: 9, 525-530
DOI: 10.1038/nnano.2014.103

Fonte: Inovação Tecnológica (24-07-14).

quarta-feira, 23 de julho de 2014

Um terço dos consumidores considera sustentabilidade como fator de compra (Consumers nowadays: one third of citizen consider the sustainability factor to purchasing decisions)

mercado cc caden crawford Um terço dos consumidores considera sustentabilidade como fator de compra
Foto: Caden Crawford/Creative Commons

Estudo sobre produtos e serviços sustentáveis da Accenture e Havas Media RE: Purpose foi feito com 30 mil consumidores em 20 países (A study about sustainable products and services was realized by Accenture and Havas Media RE: Purpose involving 30,000 consumers in 20 countries).


Um terço dos consumidores considera o fator sustentabilidade em suas decisões de compra regularmente, segundo um estudo global da consultoria Accenture e da Havas Media RE: Purpose. A pesquisa revela as razões que levam à diferença entre as empresas e as expectativas do consumidor no que se refere a produtos e serviços sustentáveis.

O relatório “From Marketing to Mattering” foi elaborado em cima de uma pesquisa com 30 mil consumidores em 20 países. O estudo foi encomendado para acompanhar o estudo UN Global Compact-Accenture CEO Study on Sustainability, publicado em 2013, no qual dois terços dos CEOs admitiram que as empresas não estão fazendo o suficiente para vencer os desafios de sustentabilidade. Este estudo apontou também que 73% dos consumidores acham que as empresas estão falhando no cuidado do planeta e da sociedade.

Ambos os levantamentos apontam que, embora os CEOs considerem que o engajamento com os consumidores é o fator de maior motivação para acelerar os investimentos em sustentabilidade, eles geralmente estão em descompasso com a motivação dos consumidores para comprar produtos e serviços de sustentabilidade. Se por um lado, 81% dos CEOs acreditam que a reputação em sustentabilidade é importante para os consumidores, apenas 23% dos consumidores buscam informações sobre sustentabilidade das marcas dos produtos que consomem.

Mas o estudo mostra oportunidades para as empresas abordarem a questão da sustentabilidade para mostrar aos consumidores vantagens para sua qualidade de vida. Há uma diferença dramática nos hábitos de compra dos consumidores dos mercados de países desenvolvidos e em desenvolvimento. 85% dos indianos e 66% dos chineses que responderam à pesquisa acreditam que a que sua qualidade de vida vai melhorar nos próximos cinco anos. Em comparação, 37% dos respondentes da Europa Ocidental e 51% dos norte-americanos acreditam que suas vidas vão melhorar no mesmo período.



“Consumidores dos mercados emergentes enxergam uma ligação direta entre o produto que eles compram e a sua qualidade de vida”, disse Johnson, CEO Havas RE:PURPOSE. 

“Eles também sofrem as consequências negativas de produções irresponsáveis e de corrupção mais diretamente. Nas economias maduras, as marcas não conseguem mais conquistar consumidores com suas credenciais de sustentabilidade. As pessoas sabem mais sobre produtos e empresas que nunca. Para que sejam significativas, as marcas precisam criar produtos e serviços com ganhos tangíveis na vida das pessoas no que se refere ao critério de sustentabilidade. Ser uma empresa ou marca significativa não tem mais a ver em como você gasta seu dinheiro, mas como você conduz os seus negócios.”

Fonte: AKATU.
30 motivos para preservar as florestas do Brasil
17 de Julho de 2014 

Nesta quinta-feira (17) é comemorado o Dia de Proteção às Florestas. Esta é uma ótima oportunidade para refletir sobre o tema. Por isso, o CicloVivo aproveitou uma lista feita pelo Greenpeace, uma das ONGs de defesa ambiental mais famosas do mundo, com 30 razões para nos incentivar e alertar sobre os cuidados que devemos ter com as florestas brasileiras. Apesar de não ser uma listagem recente (ela data de 2011), os pontos apresentados continuam a ser atuais e merecem ainda mais atenção e preocupação.
Veja abaixo algumas razões para as quais precisamos abrir os olhos:
1. O Brasil abriga 20% de todas as espécies do planeta.
2. O mundo perde 27 mil espécies por ano.
3. A Amazônia ocupa metade do Brasil e abriga 2/3 de todo o remanescente florestal brasileiro atual.
4. O Brasil detém 12% das reservas hídricas do planeta.
5. Já perdemos cerca de 20% da Amazônia, o limite estabelecido pela lei.
6. Na mata atlântica, bioma de mais longa ocupação no Brasil, 93% já foi perdido.
7. Mesmo quase totalmente desmatado, ainda tem gente que ataca a mata atlântica: a taxa média de desmatamento de 2002 a 2008 foi equivalente a 45 mil campos de futebol por ano.
8. Perdemos 48% do cerrado.
9. Perdemos 45% da caatinga.
10. Entre 2002 e 2008, a área destruída no cerrado foi equivalente a 1,4 milhão de campos de futebol por ano, na caatinga o equivalente chegou a 300 mil campos.
11. Perdemos 53% dos pampas.
12. Entre 2002 a 2008 perdemos o equivalente a 4 mil campos de futebol por ano nos pampas.
13. Perdemos 15% do Pantanal.
14. Por ano, perde-se 713 km2 de Pantanal.
15. Se mantivermos as taxas de desmatamento registradas até 2008 em todos os biomas, perderemos o equivalente a três Estados de São Paulo até 2030.
16. O Brasil é o 4º maior emissor de gases de efeito estufa, que provocam o aquecimento global, principalmente porque desmatamos muito.
17. 61% das nossas emissões vêm do desmatamento e queima de florestas nativas.
18. A expansão pecuária na Amazônia é, sozinha, responsável por 5% das emissões de gases-estufa em todo o mundo.
19. Mudanças climáticas impactam diretamente as cidades brasileiras. Preservar as florestas ajuda a regular o clima e proteger as populações.
20. Mudanças climáticas impactam diretamente a agricultura. A Embrapa, por exemplo, prevê desertificação do sertão nordestino e impacto nas principais commodities brasileiras, como soja e café; os mais pobres sofrem mais.
21. Saltamos de uma taxa de 27 mil km2 de desmatamento na Amazônia em 2004 para menos de sete mil em 2010. É possível zerar essa conta.
22. Empresas que comercializam soja no Brasil são comprometidas, desde 2006, a não comprar de quem desmata na Amazônia. A produção não foi afetada e o mercado pede por produtos desvinculados da destruição da floresta.
23. Os maiores frigoríficos brasileiros anunciaram em 2009 que não compram de quem desmata na Amazônia. O mercado não quer mais desmatamento.
24. O Brasil pode dobrar sua área agrícola sem desmatar, ocupando áreas de pasto ou abandonadas.
25. 60% da vegetação nativa do Brasil está contida nas reservas legais – instrumento de preservação do Código Florestal que os ruralistas tentam acabar.
26. A pecuária ocupa cerca de 200 milhões de hectares, quase ¼ de todo o Brasil. Boi ocupa mais espaço que gente. E isso porque a produtividade da pecuária no Brasil é muito baixa: um boi por hectare. Dá para triplicar o rebanho sem desmatar.
27. Um terço de todo o rebanho bovino brasileiro está na Amazônia, onde 80% da área desmatada é ocupada com bois. Ali há 22,4 milhões de hectares de pastagens abandonadas e degradadas, ou uma Grã-Bretanha, que poderiam ser reaproveitadas. Só não são porque derrubar é mais barato.
28. Mais de 70% das espécies agrícolas cultivadas dependem de polinizadores, que por sua vez dependem da natureza em equilíbrio. A FAO calcula que esse serviço prestado pelos insetos é equivalente a € 150 bilhões (R$ 345 bilhões), ou 10% produto agrícola mundial.
29. O Código Florestal  é fundamental para manter as florestas em pé.
30. Num cenário de desmatamento zero, a agricultura familiar teria tratamento diferenciado. Isso porque, a despeito de ocupar apenas 25% da área agrícola brasileira, é o real responsável por produzir a comida (70% do feijão, 58% do leite e metade do milho brasileiro vem da agricultura familiar) e por gerar emprego no campo (74% da mão de obra).
Por Redação CicloVivo e Greenpeace

6 passos para iniciar a sustentabilidade em sua empresa

23 de Julho de 2014



Em meio a vários desafios de ordem ambiental, econômica e social, atualmente é impossível ter uma empresa e não considerar estes aspectos dentro do planejamento estratégico. Tendo essa premissa como base, a consultora Roberta Valença, especialista em gestão e educação para a sustentabilidade, separou seis passos que podem ajudar a empresa a se tornarem mais sustentáveis.

1. Qual é a situação da empresa hoje?

O olhar deve partir sempre de dentro para fora. Se existem problemas emergenciais relacionados à desmotivação entre os colaboradores, processos trabalhistas, metas não batidas ou perda de clientes, o esforço de mudança inicia a jornada em busca de sustentabilidade para enfrentar a crise imediata. Em seguida, aproveite a atmosfera de sensibilização como base para se antecipar ao futuro e responder hoje as questões de amanhã.

2. Como começar direito?

O ideal é se reunir com o corpo diretivo para falar sobre a abordagem da sustentabilidade na estratégia da empresa. Eles precisam enxergar a necessidade de fazê-la e, consequentemente, conseguirão visualizar possíveis oportunidades. Para isso, crie um comitê de pessoas interessadas no tema e dispostas em realizar projetos interessantes voluntariamente.

3. Formulando a estratégia de sustentabilidade

Depois se seguir os dois primeiros passos, agora é possível traduzir os pontos fracos e fortes em oportunidades de negócios que serão a base de sua estratégia.

Essa abordagem e seu plano de negócios devem ser únicos e integrados e não dois programas separados, que funcionam em paralelo. Todos os colaboradores devem orientar suas condutas em prol de um único objetivo.

4. Estabelecendo metas e indicadores

Após escolher as metas prioritárias, a técnica da minimização e da otimização pode ajudar na fixação de indicadores para mensurar os resultados. Uma empresa de serviços aos clientes, por exemplo: minimização é responder com mais rapidez as queixas, desde que estes se sintam completamente atendidos; otimização é trabalhar com clientes insatisfeitos para desenvolver novos produtos adequados às suas necessidades.

5. Engajamento Interno

Aqui, a postura proativa do RH é imprescindível. Costurar as causas da empresa aos propósitos dos colaboradores é fundamental. Eles precisam saber exatamente o porquê das metas, dos indicadores, de como chegaram até essa estratégia e compreender o quão importante são nesse processo. Precisam alcançar o entendimento de que são partes fundamentais para que tudo saia como o esperado e essa é a realidade.

Muitas estratégias de sustentabilidade não funcionam porque não fazem a integração orgânica com os funcionários. Uma mera palestra mecânica falando sobre a estratégia não induz ninguém à ação.

6. Além da Sustentabilidade

O processo de sustentabilidade não tem fim. A esperança é de que um dia esteja tão integrado ao nosso modelo mental que já esteja intrínseco a qualquer decisão empresarial.

Há companhias que iniciam seu caminho na área pelos modelos de relatórios existentes, como o GRI (Global Reporting Initiative) ou pelo ISE (Índice de Sustentabilidade Empresarial), da Bovespa. Os relatórios existem para “relatar” o que já fazem, portanto, tendo percorrido um caminho natural, o documento ajuda mais na frente a aprofundar essas questões. Hoje, o que acontece é que ele acaba valorizando mais o “ser” do que o “ter” e, o que se vê muito, são corporações preocupadas em preencher um relatório a todo custo, sem integrar a essência dele – que é o que importa de fato.

Esses passos são um bom começo para quem estiver disposto a fazer algo melhor do que já faz atualmente. No meio do processo haverá maior entendimento do negócio e as boas ideias surgirão naturalmente. A sustentabilidade sempre agrega.

terça-feira, 22 de julho de 2014

Vai ter água para todo mundo? (H2O Crisis: there will be water for everyone?)


Em 2014, o Estado de São Paulo entrou na maior crise hídrica de sua história. Com sucessivos recordes negativos desde que foram iniciadas suas medições, o Sistema Cantareira, responsável por 45% do abastecimento de água da maior região metropolitana da federação, atingiu suas maiores baixas justamente no verão, época em que mais deveria chover. 
[In 2014, São Paulo State, Brazil, faced the greatest water crisis on its history. Negatives successive records since their measurements were started, were recorded on the Cantareira System, responsible to 45% water supply to the metropolitan region, reached its greatest lower indexes, just in the summer time, when will should rain a lot].


O paradoxo climático serviu de justificativa para as autoridades, que lamentaram a falta de chuvas e buscaram soluções apressadas para evitar o tão impopular racionamento. O imediatismo, no entanto, foi sentido pela população. Alguns bairros da cidade já sofrem com frequentes cortes d’água e, apesar do resgate do chamado volume morto, que elevou o nível do Cantareira em 18,5 pontos percentuais em maio, especialistas consideram questão de tempo até que se consuma a última gota do sistema. Ao contrário do tempo seco – atípico para esta época do ano – a crise de abastecimento de água já estava há anos anunciada.

Quando projetado na década de 1960, o Sistema Cantareira previu o abastecimento de água à Grande São Paulo até os anos 2000. Na outorga de 2004, documento assinado pela Sabesp (Companhia de Saneamento do Estado) e pelo Consórcio PCJ (Consórcio das Bacias dos Rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí), foi acordado que a companhia procuraria formas de reduzir sua dependência do sistema. Em outras palavras, o tempo seco apenas antecipou um problema que, cedo ou tarde, chegaria às torneiras e chuveiros dos paulistas.

Feito o retrospecto histórico, é necessário entender o complexo ciclo da água em uma região violentamente urbanizada. Não o ciclo natural, que todos aprendem nas escolas, mas o ciclo social, que envolve desigualdade, poluição, consumo, desperdício, grandes obras e desapropriações. O projeto 2000 e água, nome que faz referência ao colapso hídrico prenunciado para o novo milênio, propõe-se a contar a inquietante história de pessoas que vivem ou viveram a água em diferentes fases deste processo.


Acesse aqui a reportagem hipermídia “2000 e água”, sobre a crise hídrica de 2014 em São Paulo!
Fonte: Agência Envolverde.

Argila brasileira tem potencial para uso em medicamentos e cosméticos


Com informações da Agência Fapesp - 14/07/2014


O Brasil é um dos principais fornecedores mundiais de argila.

Contudo, mesmo sabendo-se que
"argila com tecnologia" tem um valor 100 vezes maior, as argilas nacionais são, em geral, produtos de baixo valor agregado.

 A bentonita extraída no Brasil, por exemplo, uma argila capaz de absorver líquidos até 20 vezes seu volume inicial, é utilizada majoritariamente na extração de petróleo, gás e água, na pelotização de minérios de ferro, em moldes para fundição de metais e como leito sanitário para animais domésticos.

 Situação semelhante ocorre com os caulins, cujos principais destinos são as indústrias de papel e de cerâmica.


Argila de uso nobre


Não há registros do emprego de bentonitas e caulins brasileiros em ramos nobres, como as indústrias de fármacos e cosméticos, ao menos em grande escala.

 Exemplos do emprego medicinal das argilas incluem seu uso por via oral, como adsorventes de toxinas ou fornecedores de suplementos minerais, ou seu uso tópico, no tratamento de doenças dermatológicas.

Pesquisadores brasileiros já detêm a tecnologia para
juntar PVC e argila para criar nanocompósitos de alta resistência, enquanto outros grupos encontraram nas nanopartículas de argila o caminho para a criação de melhores plásticos biodegradáveis.

 "De modo geral, esses segmentos, principalmente de fármacos e nanocompósitos, utilizam argilas importadas, pois ou não existem similares nacionais com o mesmo grau de pureza ou os fornecedores daqui não conseguem manter o padrão de um lote para o outro," explica o professor Francisco Valenzuela Diaz, da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo.


Purificação da argila


É esse cenário que o grupo do professor Francisco está tentando mudar.

 "Nosso projeto investigou 20 tipos de argila de diferentes lugares do Brasil, purificou-as e estudou seu potencial para usos mais nobres, tais como fármacos, cosméticos e nanocompósitos de argilas com polímeros, visando a sua capacidade de reprodução de resultados", afirmou. "Das argilas que estudamos, as que apresentaram os melhores resultados foram as bentonitas da Paraíba; uma bentonita de Vitória da Conquista, na Bahia, e alguns caulins do Pará."

 Os resultados obtidos foram considerados surpreendentes pelos pesquisadores. No caso da argila da Bahia, por exemplo, verificou-se que, em seu estado natural, ela não é adequada para a produção de fármacos e cosméticos, mas, após a purificação, origina três argilas com cores e propriedades físico-químicas diferentes, que apresentam excelentes perspectivas de uso nobre.

 Os pesquisadores utilizaram técnicas analíticas para acessar as propriedades físico-químicas das argilas analisadas, tais como a difratometria de raios X, a fluorescência de raios X, a microscopia eletrônica de varredura e a quantificação rigorosa dos argilominerais presentes nas amostras, além de vários ensaios para observação do comportamento das amostras frente a vários solventes.

 Argila de uso medicinal

 Um dos resultados mais significativos foi a comprovação de que as argilas, descritas geralmente nas farmacopeias como excipientes e/ou princípios ativos para fármacos e cosméticos, podem vir a substituir corantes e conservantes em várias formulações, contribuindo para a produção de produtos ecologicamente corretos.

A pesquisa já realizada permitiu identificar regiões com potencial para a produção de argilas nobres.

 "Queremos agora conhecer a fundo as características estruturais e físico-químicas dessas argilas para estabelecer parâmetros de qualidade", declarou Francisco. "O desenvolvimento de produtos, com perspectivas comerciais, é algo que, eventualmente, virá depois."

Madeira balsa sintética supera versão natural

Redação do Site Inovação Tecnológica - 22/07/2014


Madeira balsa sintética
Estruturas inspiradas na madeira balsa foram criadas por impressão 3D. [Imagem: Brett G. Compton/Harvard]


Balsa sintética

 As turbinas eólicas são verdadeiros primores da engenharia, além de exemplos de tecnologia verde.



O que poucos sabem é que algumas das melhores, e sobretudo as
maiores pás dos geradores eólicos, possuem em seu interior painéis de balsa, a madeira da árvore Ochroma pyramidale, que é extremamente leve, mas muito resistente - ela é também muito utilizada na fabricação de aeromodelos.

O Equador vende 95% da balsa consumida no mundo, mas logo poderá começar a enfrentar a concorrência de uma "balsa sintética".

Utilizando um coquetel de resinas termoendurecíveis à base de epóxi, reforçadas com fibras e montadas por uma técnica de impressão 3D, engenheiros da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, desenvolveram um compósito com propriedades mecânicas similares às da balsa.

O material compósito, que imita a estrutura interna da balsa, apresentou uma leveza e uma resistência sem precedentes, segundo a professora Jennifer Lewis, coordenadora da equipe.

Devido às propriedades mecânicas e à possibilidade de controle preciso do processo de fabricação, os pesquisadores afirmam que esses novos materiais não apenas imitam a balsa, mas podem superar os melhores compósitos poliméricos disponíveis comercialmente.



À esquerda, bocal da impressora criando uma balsa sintética real. À direita, esquema ilustrativo das tintas utilizadas. [Imagem: Brett G. Compton/Harvard]


Arquitetura celular


Brett Compton e Jennifer Lewis desenvolveram "tintas" de resina epóxi salpicadas de plaquetas de argila com dimensões microscópicas, e usaram também um composto chamado dimetil metilfosfonato. Os ingredientes finais são fibras de carbono, muito resistentes, e partículas de carbeto de silício, um material muito duro.

 Com essa tinta em mãos, só foi necessário copiar a estrutura interna da balsa em uma impressora 3D.

"A madeira balsa tem uma arquitetura celular que minimiza seu peso, já que a maioria dos espaços são vazios, e apenas as paredes celulares suportam a carga. Assim, ela tem uma elevada rigidez e resistência específica. Nós tomamos emprestado este conceito e o imitamos em um composto sintético," disse Lewis.

Os testes mostraram que os compósitos celulares são tão fortes quanto a madeira que os inspira, de 10 a 20 vezes mais rígidos do que os polímeros impressos comerciais, e duas vezes mais fortes do que os melhores compósitos poliméricos.

O material e sua técnica de fabricação terão aplicações em várias áreas além das pás de turbinas eólicas, incluindo os automóveis, onde materiais mais leves são essenciais para diminuir o consumo de combustível.