terça-feira, 31 de março de 2015

Spray com tinta invisível protege ciclistas de acidentes

Fonte: ESTADÃO PME

A segurança no trânsito também precisa chegar aos ciclistas. Além de capacetes, joelheiras e luzes de segurança, deve existir uma forma de proteger aqueles que dirigem sobre rodas e a Volvo criou um dispositivo que pretende ser um aliado de quem pedala.

Luzes de alerta protegem ciclista de acidentes.
Tinta pode durar até uma semana e não mancha superfícies.

Trata-se de um spray invisível que tem o poder de refletir a luz. Imperceptível durante o dia, ele brilha quando exposto à luz de faróis de carros, por exemplo, e torna visível o invisível. Assim, o ciclista é visto com mais facilidade. O LifePaint é lavável e não altera a cor de qualquer superfície ou material, e dura aproximadamente uma semana a partir do dia da aplicação.

Apesar de ter sido idealizado para proteger ciclistas, o LifePaint pode ser usado de diversas maneiras, desde aplicado em roupas, sapatos, capacetes, em mochilas de crianças, até utilizado em coleiras de cachorros.

ENERGIA FOTOVOLTAICA: Visita técnica do 5o GPI diurno da FATEC Franca! (PHOTOVOLTAIC ENERGY: a technical visit with the 5th GPI students from FATEC Franca.)

Painel fotovoltaico instalado em uma residência fora de condomínios em Franca, SP.
[Photovoltaic panel installed in a residence outside of condominium region in Franca, Brazil].
Imagem: Tadeu Artur de Melo Júnior.

Alguns países tem apresentado resultados relevantes com o uso de energias renováveis. Nos últimos 80 dias, Costa Rica usou apenas fontes energéticas alternativas para abastecimento de sua população, estimada em 5 milhões de pessoas. 

A cidade de Georgetown (Texas, USA) pretende em 2 anos estar produzindo o total da energia demandada, sendo mais de 50% representados por 150 megawatts gerados por placas fotovoltaicas.



Junto ao engenheiro Roberto Nunes, ao lado do painel fotovoltaico durante visita técnica.
[Beside the engineer Roberto Nunes, next to the photovoltaic panel for technical visit].
Imagem: Divulgação.

Essa fonte alternativa de energia tem sido considerada como uma das mais relevantes e em crescimento atualmente. Os preços das células fotovoltaicas tem baixado consideravelmente.

E o Brasil? Frente a atual crise hídrica e a baixa nos reservatórios, a instalação de painéis fotovoltáicos em empresas e residências pode ser solução alternativa de grande auxílio para a estabilidade no sistema de fornecimento de energia elétrica.

 O engenheiro Roberto Nunes explicando os princípios e funcionamento do sistema.
[Roberto Nunes engineer explaining the principles and operation of the system].
Imagem: Divulgação.

Ontem pela manhã, pude levar os alunos da FATEC Franca para uma visita técnica em uma residência onde o engenheiro Roberto Nunes projetou e instalou um sistema fotovoltaico.

Foi experiência proveitosa, com aprendizado para todos. Mais que isso, o proprietário da residência nos contou sobre a sua perspectiva
de diminuição de custos com energia elétrica e ainda nos apresentou seu sistema de coleta de água da chuva!



Fonte: Tadeu Melo Jr.

Extintor sônico apaga incêndio com alto-falante (Sonic extinguisher can delete fire using speaker)!

Extintor sônico apagar incêndio com alto-falante
Seth Robertson e Viet Tran agora procuram parceiros para comercializar sua invenção. 
[Seth Robertson and Viet Tran now seeking partners to commercialize his invention].
Imagem: Evan Cantwell.


Apagando fogo no grito (Deleting fire using scream)

Quando os bombeiros atacam um foco de incêndio, eles geralmente usam extintores de pó químico, CO2 ou mesmo água.

O problema é que, além do estrago causado pelo fogo, o material usado para apagá-lo faz o seu próprio estrago.

Viet Tran e Seth Robertson, da Universidade George Mason, nos Estados Unidos, impressionaram seus professores ao apresentar seu trabalho de formatura mostrando que é possível apagar fogo com som.

O extintor de incêndio sônico não faz sujeira, além de não perder a validade e nunca precisar ser recarregado.

Seu funcionamento é baseado em um alto-falante comum, de alta potência, que emite sons de baixa frequência no interior de um tubo, que concentra as ondas e as dirige para o fogo - tudo o que se ouve é um "tum-tum-tum" surdo, bem conhecido dos aficionados porsonorização de automóveis.

Extintor sônico

Os dois estudantes fizeram vários protótipos e testaram várias frequências sonoras, terminando com uma versão que se mostrou altamente eficiente contra pequenos focos de incêndio, justamente o campo de ação dos extintores portáteis tradicionais.

Os dois patentearam a invenção e acreditam que o conceito possa ser ampliado para apagar incêndios maiores, ser miniaturizado para dar maior flexibilidade de ação e maior segurança aos bombeiros, ou mesmo ser usado em naves espaciais, onde os extintores tradicionais não funcionam.

"Se for montado em um drone, ele pode melhorar a segurança para os bombeiros quando eles estiverem enfrentando grandes incêndios florestais ou urbanos," disse Tran.

Agora que terminaram o curso e foram aprovados, os dois pretendem encontrar financiadores para negociar sua patente e transformar o extintor sônico em um produto.

Fonte: Inovação Tecnológica.

Pacto Global da ONU lança Guia de Sustentabilidade Empresarial “Criando um Futuro Sustentável” (UN Global Compact launches Corporate Sustainability Guide "Creating a Sustainable Future")!


As Nações unidas trabalham para preservar os direitos humanos, de trabalho, ambientais e contra a corrupção, para transformar nosso mundo: construindo um futuro sustentável.

[The United Nations global compact works with businesses in the realms of human rights, labour, environment and anti-corruption to transform our world: shaping a sustainable future].



O Pacto Global das Nações Unidas lançou recentemente em Nova York o Guia de Sustentabilidade Empresarial: Criando um Futuro Sustentável. A publicação apresenta as cinco principais características que definem a sustentabilidade empresarial e mostra as contribuições práticas da maior iniciativa voluntária para a responsabilidade corporativa.

Para ser sustentável, segundo o Guia, as empresas devem seguir cinco passos:

[The United Nations recently launched in New York's Corporate Sustainability Guide: Creating a Sustainable Future. Corporate sustainability is imperative for business today – essential to long-term corporate success and for ensuring that markets deliver value across society. To be sustainable, companies must do ve things: Foremost, they must operate responsibly in alignment with universal principles and take actions that support the society around them. Then, to push sustainability deep into the corporate DNA, companies must commit at the highest level, report annually on their efforts, and engage locally where they have a presence]!

Fonte: Pacto Global (ONU).
Source: Global Compact (UN).

Negócios baseados em Princípios: Para qualquer empresa, a sustentabilidade começa com a integridade, com operações que respeitam as responsabilidades fundamentais nas áreas de direitos humanos, trabalho, meio ambiente e combate à corrupção. Os Dez Princípios do Pacto Global fornecem uma linguagem universal para a responsabilidade corporativa e uma estrutura para orientar todas as empresas, independentemente de seu tamanho, complexidade ou localização.
Fortalecimento da sociedade: Empresas sustentáveis olham além de suas próprias paredes e tomam ações para apoiar as comunidades ao redor delas. Pobreza, conflitos, força de trabalho sem instrução e escassez de recursos também são questões estratégicas para o sucesso dos negócios e sua viabilidade.

Compromisso da Liderança: A liderança de uma empresa deve comunicar para toda sua estrutura que está comprometida com a sustentabilidade. Um comprometimento público do Presidente, com o apoio do Conselho Administrativo, é necessário para participar do Pacto Global. Liderança também significa promover ações em áreas-chave, como ajustes nas políticas e práticas, alinhamento de assuntos governamentais, treinamento e motivação dos funcionários, aplicação da sustentabilidade na cadeia de suprimentos e divulgação de esforços e resultados.

Relatório de Progresso: Como a principal medida de prestação de contas, os participantes do Pacto Global devem produzir uma Comunicação de Progresso (COP) anual, direcionando-a aos stakeholders da empresa com uma prova de seus esforços para operar de forma responsável e em apoio à sociedade. Mais de 28 mil COPs podem ser encontradas no site internacional do Pacto Global.

Ação Local: As empresas atuam dentro de nações e comunidades com diferentes expectativas sobre o que significa o negócio responsável. Para ajudar as empresas com a sustentabilidade empresarial em diferentes países, o Pacto Global tem mais de 85 redes locais que apoiam seus signatários através da promoção de aprendizagem, relatórios, networking e promoção de parcerias com o objetivo de promover a compreensão da sustentabilidade em cada país.


Fonte: Pacto Global.

segunda-feira, 30 de março de 2015

Árvores bebem nuvens, líderes devem estar bêbados (Trees drink clouds, leaders must be drunk)!

Caros, segue abaixo um interessante texto produzido por um colega, desejo ótima semana!
[Ladies and gentlemen, below is an interesting text produced by a colleague, my best wishes!]

24082012-serra-fina
A Serra da Mantiqueira vista das proximidades do Pico do Capim Amarelo, onde deveria ter sido criado um parque nacional. Nuvens abastecem as florestas nas encostas e nascentes das bacias do Paraíba do Sul e do Rio Grande.
[The Serra da Mantiqueira view from the Capim Amarelo Peak, which should have been created a national park. Clouds supply the forests on the slopes and springs of the Paraíba do Sul and Rio Grande basins].
Imagem: Fabio Olmos.

É o óbvio que preferimos ignorar: apesar de 75% da superfície do planeta ser recoberta por água, menos de 3% desse total é água doce e, destes, apenas 0,5% é acessível.


Árvores existem há pelo menos 385 milhões de anos. Houve um longo período de inter-relação entre árvores e clima – pense na bomba biológica que retira carbono da atmosfera e o coloca em depósitos de carvão. É tentador pensar na evolução de adaptações para que árvores não apenas sobrevivam ao clima, mas também o manipulem.

Uma antiga ilha árida

Em 1843, o botânico Joseph Hooker, membro da expedição antártica do Erebus e Terror, também fez uma escala em Ascension, uma base naval britânica que apoiava as patrulhas contra o tráfico de escravos e que foi descrita como desolada e árida. Amigo de longa data de Darwin, com o qual trocou muitas ideias, em 1847 Hooker propôs um plano de engenharia ambiental para aumentar a disponibilidade de água naquele deserto.

Hooker convenceu o Almirantado a plantar diferentes árvores, bambus e arbustos nas partes mais elevadas da ilha. Ali os ventos carregados de umidade vindos do mar colidem com a ilha e sobem a alturas mais frias, o que faz a umidade condensar e formar nevoeiros.

Na ausência de vegetação a água que condensa é rapidamente perdida para a evaporação e escoamento superficial. Com árvores, a água pode se infiltrar no solo. E fontes podem jorrar.

Desde 1850, décadas de envio de mudas por navio e trabalho duro transformaram o topo da Green Mountain (Montanha Verde) de Ascension em uma floresta onde há fontes perenes de água. E onde vivem até mesmo sapos, também introduzidos.

O experimento em Ascension tira proveito do fato de árvores serem superfícies de condensação perfeitas para coletar a água disponível em neblinas e nevoeiros. Na verdade, a forma de algumas espécies deve ter evoluído exatamente para isto.

Estudos mostram que a captura de neblina por árvores pode aumentar a precipitação no solo em 40 a 70%. Isto permite que florestas cresçam em partes do Chile onde praticamente não chove e sustenta as sequoias da Califórnia, cujo porte gigantesco também facilita colher a água que chega com a neblina.




A transpiração das árvores se condensa na copa da floresta em Alta Floresta (Mato Grosso).
[Perspiration condenses the trees in the forest canopy in Alta Floresta, Mato Grosso State].
Imagem: Fabio Olmos

No Brasil temos as "florestas nebulares" que crescem no alto de montanhas como os "brejos" nordestinos – ilhas verdes cercadas de Caatinga --, os tepui do norte da Amazônia, e a Cadeia do Espinhaço entre Minas Gerais e Bahia. Estas florestas e os riachos que brotam delas dependem em maior ou menor grau da umidade coletada diretamente das nuvens e das chuvas resultantes da interação entre massas de ar, relevo e árvores.


Mais próximas do epicentro da atual crise hídrica, serras como a do Mar, da Mantiqueira e de Paranapiacaba têm suas cristas cobertas por florestas que bebem das nuvens. Boa parte da água que nutre a vegetação é obtida da "precipitação fantasma" colhida pelas árvores – e não registrada por pluviômetros.

Esta região abriga cabeceiras de rios como Tietê, Paraíba do Sul, Paranapanema, Grande, etc. Não é preciso pensar muito para perceber o impacto destas florestas serranas naqueles rios.
Como visto em Ascension, as árvores – outras plantas e a fauna que vive no solo - permitem que a água que seria perdida por escoamento e evaporação se infiltre no solo, formando e recarregando os reservatórios subterrâneos que alimentam fontes e nascentes.

A transpiração das árvores reduz a pressão atmosférica local e afeta o padrão dos ventos. O resultado é que florestas como a amazônica, congolesa e siberiana "sugam" massas de ar carregadas de umidade para o interior do continente, enquanto geram e estabilizam os ventos que trazem as chuvas. Destruir as florestas próximas à costa – o primeiro elo na correia transportadora – pode causar secas no interior.


O aumento da transpiração das grandes árvores (que bombeiam água de reservatórios subterrâneos) durante as secas apoia o conceito da interação ativa entre árvores e clima. Isso é exatamente o contrário do esperado, e uma indicação de que as árvores estão suando vapor para colher chuvas.

Os atentos à matéria notarão que percorri o mesmo caminho aberto por Antonio Nobre, pesquisador do INPA.


Seca de água

Meu ponto é que embora muito tenha se falado sobre as chuvas e a Amazônia, não se pensa muito na relação entre o clima e nosso outro grande bloco de florestas, a Mata Atlântica e a Floresta com Araucária, que ocupava o litoral e praticamente todo o sul de Goiás, o interior de São Paulo, Paraná, Santa Catarina e parte do Rio Grande do Sul.


Ali existiam florestas com árvores gigantescas como jequitibás e perobas-rosa que nada deixavam a desejar com relação a suas parentes amazônicas. E que certamente deveriam ser um elo na cadeia transportadora de umidade vinda do norte do continente.

A causa principal da falta de chuvas que compromete cidades e hidrelétricas nos estados de Goiás, Bahia, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Espírito Santo e São Paulo é a formação de uma zona de alta pressão que forma uma redoma de ar seco. Essa zona de alta pressão desvia as frentes frias vindas da Antártica e os rios voadores e massas de ar carregados de umidade vindos da Amazônia e do Atlântico.

Será que um dos problemas não é a falta de florestas que baixariam a pressão atmosférica e semeariam nuvens para trazer as chuvas?

A perda de florestas parece estar associada a chuvas decrescentes e pior distribuídas. Não é só a cidade de São Paulo que há muito não tem garoas (e a precipitação fantasma associada).

Trocamos árvores por asfalto e concreto, pastagens e eucaliptos e elegemos administrações que acham que áreas verdes servem para populismo barato.

Campinas costumava estar no cinturão de florestas de jequitibás que cresciam sobre terra roxa. Ela e outras mostram uma nítida tendência de diminuição nas precipitações.

Não são só as mudanças climáticas, para as quais o Brasil colaborou muito queimando suas florestas. A perda de mecanismos de feedback entre o clima e as florestas provavelmente tem seu papel em tendências como a redução de chuvas e no aumento da frequência de eventos extremos.

Velhos e novos líderes

A relação entre árvores e abastecimento de água é uma notícia velha. Imperadores moguls e chineses já proibiam o corte de florestas para preservar fontes de água e, hoje, cidades como Quito, Caracas e Nova Iorque garantem a segurança e qualidade de seus mananciais de abastecimento protegendo-os com unidades de conservação ou acordos com proprietários privados que tem o mesmo efeito prático.


Isso não só garante água limpa, mas também reduz em muito os custos com o tratamento, coisa importante para gestores responsáveis, incluindo os que desejam lucro. Mas mero detalhe quando a gestão é política. Afinal, por aqui gerações de prefeitos e governadores permitiram a ocupação de mananciais em troca de votos.

Quando o Rio de Janeiro imperial se viu às voltas com uma crise de abastecimento, D. Pedro II ordenou um projeto de restauração ambiental que produziu a Floresta da Tijuca. Aqui em São Paulo uma das áreas protegidas mais antigas é o Parque Estadual da Cantareira, originalmente conservado por ser um manancial de abastecimento. E o Parque Nacional de Brasília foi criado para conservar a primeira captação de água da cidade.


... Já passou da hora de iniciarmos um projeto de restauração florestal em larga escala para transformar pastos, sapezais e plantações do Vale do Paraíba, Mantiqueira e Serra do Mar – e além - em florestas de verdade, com árvores de grande porte. É preciso reconstruir o que foi perdido para o ciclo do café, para o ciclo do gado, para abastecer a Companhia Siderúrgica Nacional e guseiras mineiras com carvão e, ironia, para a construção de reservatórios e ocupação de suas margens.


Para algumas bacias já sabemos o que fazer e quanto custa e há projetos iniciados. Mas ainda é pouco e desalentador ver como em São Paulo se fala mais em obras discutíveis do ponto de vista econômico e de engenharia do que em plantar chuva. Digo, árvores. Apesar de São Paulo dispor de alguns dos melhores grupos de pesquisa em restauração florestal.

A gestão da água e, por consequência, da energia, precisa mudar. O brasileiro tem dificuldades em aceitar a realidade mesmo quando ela dá uma bofetada na sua cara. Como o famoso corno apaixonado, continuamos ignorando o óbvio. Temos um desperdício inaceitável durante a distribuição, o reuso ainda é incipiente e há o freio de mão puxado quando se trata de despoluir rios e reservatórios usados como latrina por uma espécie que parece ter prazer em beber suas próprias fezes.

As demonstrações de ignorância desinibida durante a discussão do Código Florestal e, aqui em São Paulo, na votação da Lei do Desmatamento, mostram que para políticos e uma banda do agronegócio o problema não importa, nem se inviabilizar seus negócios. Os velhos hábitos falam mais alto.

Para isso, e o que me preocupa em uma situação de conflito de interesses, é preciso haver habilidade política e bom senso. Não adianta ter um coração valente e ser uma porta trancada. Também não adianta ter uma mente privilegiada e a bravura de um legume. Menos ainda ser 'O Cara' quando seu legado é uma cleptocracia que afundou a economia e rachou o país.

A guerra civil na Síria é o resultado da crise climática caindo sobre um regime político não representativo e inepto somado a uma população jovem sem perspectivas em meio a uma crise econômica.

Um país com democracia forte e economia saudável cuida bem dos seus recursos essenciais; água e democracia são importantes.


Fonte: Fábio Olmos (Março de 2015).

Sede da ONU em Brasília testa veículos elétricos (UN headquarters in Brasilia test electric vehicles)!

Os dois automóveis elétricos circularão com monitoramento constante.
Os dois automóveis fabricados estarão em um sistema de monitoramento constante.
[The two cars will be subject to constant monitoring system].
Imagem: PNUD (UN) Brasil.

O Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) e a ONU Mulheres são os mais novos órgãos a receberam o projeto de mobilidade com foco em veículos movidos a eletricidade.


Trata-se do projeto Mob-i desenvolvido pela hidrelétrica Itaipu em parceria com a empresa portuguesa CeiiA (Centro de Excelência da Indústria da Mobilidade). Foram disponibilizados dois automóveis elétricos que circularão com monitoramento constante e tendo seus dados coletados para análise científica.

O interesse da ONU no projeto está no fato do programa contribuir para a redução da emissão de gases poluentes, alem de incentivar a pesquisa e o uso de energias renováveis.


Imagem: Bárbara de Oliveira/Pnud Brasil.

Por meio do sistema Mob-me, os veículos podem ser monitorados online e assim são atualizados os indicadores de energia elétrica consumida, o número de viagens e distâncias percorridas, são calculados dos gases de efeito estufa que deixam de ser lançados na atmosfera, principalmente o CO2. Além disso, não é emitido poluição sonora, pois o motor é silencioso. 

A versão do projeto Mob-i para ONU não é a primeira, lançado em junho de 2014, o programa já foi levado para a Prefeitura de Curitiba, na própria Itaipu e nos correios de Brasília.

Imagem: Bárbara de Oliveira/Pnud Brasil.

Fonte: CicloVivo.

Águas, políticas de Uso e Abuso (Water: Use and Abuse policy).


Fundo do Açude Carnaubal que abastecia a cidade de Crateús, no Ceará. Foto: Fernando Frazão/ Agência Brasil (05/03/2015)
Fundo do Açude Carnaubal que abastecia a cidade de Crateús, no Ceará. 
[Carnforth Weir background that supplied Crateús city, Ceará, Brazil].
Imagem: Fernando Frazão/Agência Brasil.
A água no Brasil é infinita. Os usos e abusos ao longo dos anos mostraram, porém, que esta afirmação é falsa. Não porque a água no Brasil não seja realmente infinita, mas porque o abuso cotidiano na captação, o não tratamento de efluentes domésticos e industriais e a degradação ambiental das áreas de mananciais e de recarga de aquíferos estão colocando o País em estado de alerta em relação aos recursos hídricos.

A história da gestão dos recursos hídricos no Brasil passa por vários capítulos, no entanto, poucos realmente preocupados em preservar este valioso insumo ambiental. Os colonizadores deixaram para os escravos o cuidado com a água e com seus dejetos domésticos. Foi quase como empurrar para baixo do tapete. O que o escravo tinha de fazer era jogar no riacho mais próximo tudo o que precisava desaparecer.

A água só mereceu tratamento legal no Brasil a partir do século XIX, quando ficou definido que o Ministério da Agricultura deveria ser o responsável por ela. Na industrialização do pós-guerra veio a necessidade de melhorar a distribuição da água para que as empresas urbanas pudessem ter acesso ao insumo. Foi a vez do Ministério das Minas e Energia assumir o encargo. A partir daí a água passou a ser tratada como um problema de infra-estrutura.

Escassez no sistema de abastecimento da cidade de Vargem, em São Paulo. Foto: Luiz Augusto Daidone/ Prefeitura de Vargem (11/02/2014)
Escassez no sistema de abastecimento da cidade de Vargem, em São Paulo. 
[Shortage in the supply system of the city of Vargem, in São Paulo].
Imagem: Luiz Augusto Daidone/Prefeitura de Vargem.


Mas é a partir de 1988, com a nova Constituição democrática, é que a água ganha um lugar de destaque na sociedade, deixa de ser um simples insumo agroindustrial para ser um direito social. A água, vista pelos deputados constituintes, era diferente da água pelos olhos dos colonizadores ou dos proprietários de terras. A União e os Estados receberam força para fazer o planejamento das políticas públicas de recursos hídricos e passaram a fazer parte de um sistema integrado de normatização e gestão. A partir de 1995 esta estruturação começa a ganhar corpo com a criação da Secretaria Nacional de Recursos Hídricos.

O Conselho Nacional de Recursos Hídricos foi o passo seguinte. Instituído por lei em janeiro de 1997, passou a funcionar de fato em junho de 1998. Este foi um importante passo para ampliar o debate sobre o uso da água no Brasil. Atualmente são 57 conselheiros com mandato de três anos. A formação do CNRH consolidou a visão de direito social, mas também ajudou a dar uma visão integrada e transversal a tema água.

No entanto, na origem deste novo ordenamento jurídico, a Lei 9433/97, havia um cenário institucional de desregulamentação das funções de Estado. Nasce na instituição pública a figura das agências reguladoras. Em todas as áreas onde antes o Estado era o principal ou único provedor ou prestador de serviços, surgem agências reguladoras. No caso da água surge a ANA – Agência Nacional de Águas. 

A criação da ANA teve algumas preocupações bem definidas. A principal foi enviar um sinal aos investidores interessados nos serviços de distribuição de água e tratamento de esgotos que existe uma institucionalização no setor. E também para que os grandes usuários possam se envolver nas questões relativas à gestão da água. 

A lei 9433 e o Plano Nacional de Recursos Hídricos que a regulamenta, dão um novo caráter à representação da sociedade na formulação de políticas públicas sobre água. Ela permite a representação nos Comitês de Bacias, nos Conselhos Estaduais e no Conselho Nacional de Recursos Hídricos. Esta representação garante que boa parte dos interesses econômicos estejam de fato representados. No entanto, não garante a defesa dos interesses dos usuários domésticos e dos interesses ambientais e difusos.

O objetivo do Plano Nacional de Recursos Hídricos e dos comitês e Conselhos estruturados sob a sua regulamentação é, principalmente, regular e prevenir “conflitos pelo uso da água”. No entanto, apenas nos próximos anos, com a aplicação dos instrumentos do PNRH é que o reordenamento do setor de águas estará de fato consolidado.

Este final da primeira década do século XXI está recolocando as peças em jogo no tabuleiro da água no Brasil. Alguns fatores determinantes estão apenas delineados e não completamente postos para deliberações. 

O mundo real ainda não se acomodou diante das novas concessões para a distribuição de água e tratamento de esgotos que estão postas com o vencimento dos contratos de concessão assinados em meados dos anos 70, quando foram criadas as empresas estaduais de água.

Na mesa, mas ainda de forma obscura e sem definições finais, está a cobrança pelo uso da água. Este mecanismo pretende valorar a água como insumo econômico e social e reduzir as distorções sobre quem arca com os custos do sistema de abastecimento. Até agora nenhuma empresa, agrícola ou industrial, tinha qualquer despesa com a captação de recursos hídricos diretamente em corpos d´água.  
Um claro desequilíbrio, principalmente quando se tem em conta que as atividades agrícolas são as de maior consumo de água, respondendo a cerca de 70% de toda a água utilizada no País. E, também, que as indústrias localizadas à beira de corpos d´água são as que mais utilizam o insumo e que também as que mais riscos apresentam em relação à qualidade da água.

O ritmo da implementação do Plano Nacional de Recursos Hídricos será marcado por um processo de negociação e conflitos de interesses. Este capítulo da história da água no Brasil está sendo escrito dia a dia, nos conselhos, comitês e na Agência Nacional de Águas. As políticas públicas nesta área não são mais decididas de forma centralizada. 

Existe a possibilidade de novas empresas atuarem na captação, tratamento e distribuição, assim como está aberto o acesso do capital estrangeiro. No entanto, as empresas estaduais de água, que nos últimos 30 anos tiveram quase que monopólios na gestão das águas em seus estados, também estão preparadas para garantir o seu quinhão de mercado.

As metas colocadas para 2020 são coincidentes com as metas para a água nos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, estabelecido pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento. São a universalização do acesso a água potável, universalização dos serviços de saneamento e otimização dos usos agrícolas e industriais, de forma a reduzir o uso e ampliar a capacidade de reuso das águas. Direito social e insumo econômico, o acesso à água de boa qualidade garante saúde e desenvolvimento econômico. Onde não há água de boa qualidade os indicadores econômicos e sociais são de pior qualidade ainda.

Fonte: Envolverde.